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Uma Gueixa Pra Basho

26/02/2009 11:44
você diz que poesia não dá ibope
pois meta seu dedo sem tato
na tomada da palavra
pra ver se ela não dá choque

enviada por Lúcia Santos


25/02/2009 19:43

Tarja preta

quem nunca tomou
que atire a primeira bolinha

enviada por Lúcia Santos


25/02/2009 17:40

Máscaras

Carnaval em pauta
fantasia e paetê
máscaras
do bem e do mal
street wear
prêt-à-porter
na passarela
alegoria
um legítimo fuzuê
na bateria
ritmo pro desenredo

folia que se preza
deixa cinzas
cruzes e credos
fevereiro sem reza
quarta-feira sem porquê
tudo vira falta
nostalgia
fotografia de Gabeira
num biquíni de crochê

São Luís, fev/2009

enviada por Lúcia Santos


03/02/2009 18:14

Visceral


te devo um nu
frontal
com tarja:
proibido para menores

já as maiores dores
cortadas do meu umbigo
exibo
amoral
tome meus versos
minhas vísceras
devore-os
com toda a libido

Rio, 15/12/08

enviada por Lúcia Santos


02/01/2009 19:36

haicai


não me hiberne
na frieza de um aceno
sou verão pleno

01/01/09
enviada por Lúcia Santos


08/11/2008 12:45

Dessa maneira

eu sou franco
o montoro também
eu sou leal
o roberto idem
eu sou justo
como a calça de um
roqueiro
esse é meu jeito
certeiro
não tenho busto
mas tenho peito
não sou maneiro
e tenho dito
e tenho feito

pena não ser perfeito

SP, 27/10/08
enviada por Lúcia Santos


27/07/2008 15:09

me aprendo vendo
tua língua soletrar-te
os monossílabos do meu corpo

enviada por Lúcia Santos


26/07/2008 16:27

Paúra


não faça esse ar de quem
pede calma
se não tem alma
pra me acompanhar


(Do livro Batom Vermelho)
enviada por Lúcia Santos


21/07/2008 15:10

Mancada


então
fica combinado assim
não tem briga
nem trégua
não tem amor
nem mágoa
não tem porém
nem meu bem
não tem mancada
nem hora marcada
além do mais
outra vez
não tem porquê
se não tem nada
enviada por Lúcia Santos


21/07/2008 15:05

Susto*


quero mais a espera ansiada
da mãe sobre sua ninhada
prefiro a alma penada
sem a missa encomendada
sou mais o grito estampado
do que o sorriso amarelo
prefiro a paixão assustada
ao amor acostumado
sou mais o lado de dentro
de uma chave que não abre
prefiro a minha febre
de viver aos sobressaltos

(sem pneu sobressalente)

*Poema musicado por Kana do Brasil
enviada por Lúcia Santos


21/07/2008 15:00

Vira-lata


se você não sabe
exatamente
o que perdeu
com certeza
haverá alguém
com faro
mais apurado
que o seu
enviada por Lúcia Santos


21/07/2008 14:58

Hein?


ele nem se tocou
que estava
enfim
diante de um grande amor
quando deu por si
caiu em mim
enviada por Lúcia Santos


20/07/2008 19:44

Aposta


com pressa não tem gosto
sem bossa não tem festa
sem essa de couraça
não meça as diferenças
me deixe assim sem graça
desnuda e descalça
me cubra num abraço
desarme o meu escudo
me peça que eu cedo
ou tarde tenho tudo

a aposta feita é nossa
sem farsa e sem trapaça
é nosso este verso
de línguas atracadas
num grito ainda mudo

22/05/08
enviada por Lúcia Santos


09/06/2008 18:06

O \"E\" da questão

Assumidamente hipocondríaca, entro na farmácia para comprar meus remedinhos costumeiros: um pra pressão baixa, outro pro resfriado, aquele ali pro glaucoma, mais aquele outro pra gastrite... Enfim, faço a maior farra! O frio e a poluição de São Paulo favorecem a frescurite aguda.
Uma balconista risonha me atende. Dentre outros remédios, pergunto se tem Efortil.
- Como? - pergunta ela, sem entender direito o que falei.
- E-for-til - repito, com toda a calma, no meu sotaque maranhense arreganhando o "é".
- Não entendi.
- Efortil, pra pressão baixa.
- Hã... Efortil (repete ela, usando o "ê" paulistano).
Eu, pra ser simpática, digo em tom de brincadeira e acentuando o sotaque:
- É que sou nordestina.
- Ela sorri meio constrangida, e sem achar graça, manda o torpedo:
- Não tem problema.
Fico passada. Claro que não tem problema, lógico que não tem problema, sua anta! É tudo uma questão de regionalismo, e nesse caso não tem certo ou errado. E fique você sabendo que eu venho da terra onde se fala o melhor português do Brasil, tá entendendo?
Óbvio que eu não falei nada disso. Minha arrogância não ultrapassa os limites do pensamento. Mas fiquei incomodada com aquele comentário preconceituoso e condescendente. A impressão que dei a ela foi que eu estava me "desculpando" por ser nordestina, por "falar errado", e por aí vai o que mais a ignorância permitiu que ela pensasse.
Fiquei tão chocada que não consegui falar absolutamente nada. Como iria explicar a essa moça simples que não me envergonho de ser de onde sou, que tenho orgulho de minhas raízes, e que o "ê" e o "é" não passam de uma questão fonética? Melhor deixar pra lá.
Fui pra fila do caixa, e pra meu azar, foi ela quem me atendeu novamente. A balconista risonha tinha se transformado numa caixeira nazista.
- Você mora há quanto tempo aqui? - perguntou.
- Há quatro anos - respondi, totalmente apática.
- Ah, então já faz tempo.

Traduzindo: Você já está quase civilizada...

São Paulo, dez/2003



enviada por Lúcia Santos


04/06/2008 17:10

Jesus is Love

será a fé dos cristãos
tão larga
tão esticada
quanto o jesus estampado
na blusa da mulher gorda?

(do livro Batom Vermelho)
enviada por Lúcia Santos


04/06/2008 17:07

Sem Tradução

você pra mim
meu amor
é uma música em dialeto
eu não entendo bem a letra
mas adoro
quando toca baixinho
no meu gravador

(Do livro Batom Vermelho)
enviada por Lúcia Santos


02/06/2008 22:57

Mãos ao Alto!

Chega de esconde-esconde
brincadeira de gato e rato
chapeuzinho e lobo mau
descortinemos o palco
e o público de pé
aplaudirá nosso ato
- O amor caiu de quatro!

(Do livro Quase Azul Quanto Blue)

enviada por Lúcia Santos


15/04/2008 18:15

Berto e o Fogo Simbólico


Símbolo dos jogos olímpicos, a tocha olímpica (ou fogo simbólico) tem seguido seu trajeto já há alguns dias, solenemente, feito que eu acompanho pela tv sem muito interesse, desligada que sou de manifestações esportivas. Sei apenas que a tradição de manter um fogo aceso durante os jogos remete à antiguidade. Era uma cerimônia sagrada, pois reza a lenda que Prometeu teria roubado de Zeus o fogo, para entregá-lo aos mortais.
O fato é que esse símbolo sempre ressuscita uma lembrança da minha infância: Berto, um andarilho que volta e meia aparecia em Arari, cidadezinha onde eu nasci. Berto era quase um mito, cercado de mistérios e consequentemente de especulações. Os adultos chamavam-no de maconheiro, o que para nós, crianças da época, era algo aterrorizante.
Mesmo assim, ou até por isso, ele despertava em nós uma curiosidade desmedida. Negro, forte apesar de baixo, cabelos rastafari, olhar duro, jeito caladão. Enigmático.
Mas tinha uma frase usada por ele que se tornou célebre de tão engraçada, e de tão repetida pela nossa memória afetiva. Quando falo "nossa", refiro-me a mim e a meus irmãos.
Hoje adultos, e já sabendo o que é um maconheiro, sempre que ouvimos falar em fogo simbólico nos remetemos imediatamente à lembrança de Berto, que, no cúmulo da sua irreverência, dizia que soltava fogo simbólico pelo cu.
Ficávamos imaginando como seria isso. Aquele negão engolindo a tocha olímpica para depois emiti-la em forma de gases? Ou cuspindo labaredas pelo rabo, incendiando cidades, chamuscando quem ousasse algo contra ele?
Os adultos tinham razão. Um homem que arremessava fogo simbólico pelo cu devia ser mesmo muito perigoso.

13/04/08
enviada por Lúcia Santos


07/04/2008 13:17

Veneno


tapa com luva de pelica?
é pra quem tem a poesia
escorrendo pelos cantos
da boca
como veneno doce
que se multiplica

enviada por Lúcia Santos


02/04/2008 13:15

ERRATA:

Minha revisora Virgínia Santos chegou um pouquinho atrasada, mas a tempo de colocar esta errata. Nenhum erro é tão grande que não tenha conserto (com S), não é mesmo?
Em MAIS UMA DE BEATRIZ, onde tem "ela estava preparando-se", leia "ela estava se preparando".
Em GLADIADORES, onde tem "mau-humorada", eu quis dizer "mal-humorada".
E tenho dito!

enviada por Lúcia Santos





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